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Neobanks: O Fim dos Bancos Tradicionais?

Neobanks: O Fim dos Bancos Tradicionais?

07/12/2025 - 09:13
Felipe Moraes
Neobanks: O Fim dos Bancos Tradicionais?

Em um mundo cada vez mais conectado, a forma como gerenciamos nosso dinheiro está passando por uma transformação profunda e irreversível.

Os neobancos, ou bancos digitais, emergem como protagonistas dessa revolução, desafiando as estruturas seculares dos bancos tradicionais.

Com crescimento acelerado e adoção massiva, especialmente entre os jovens, eles prometem agilidade, transparência e custos reduzidos.

Mas será que essa ascensão significa o desaparecimento das instituições financeiras convencionais?

Este artigo explora essa questão crucial, oferecendo insights práticos e inspiradores para navegar no novo cenário financeiro.

O Crescimento Explosivo do Mercado Global e Brasileiro

O mercado global de neobancos atingiu um valor impressionante de US$ 102,56 bilhões em 2025.

As projeções indicam que ele alcançará US$ 130,03 bilhões em 2026, com uma taxa de crescimento anual composta de 26,78%.

Esse ritmo vertiginoso reflete a demanda global por serviços financeiros mais acessíveis e digitais.

No Brasil, o cenário é igualmente promissor, com o mercado de fintechs movimentando US$ 5,5 bilhões em 2025.

Estimativas apontam para um crescimento para US$ 19,1 bilhões até 2034, impulsionado pela penetração de smartphones e pela busca por inovação.

Isso representa uma oportunidade única para consumidores e empreendedores aproveitarem as vantagens da digitalização.

A Revolução Demográfica: Os Jovens na Vanguarda

Um dos fatores mais impactantes é a adoção maciça pelos jovens brasileiros.

52% dos jovens entre 18 e 35 anos usam neobancos como sua instituição financeira principal.

Esse é o maior índice na América Latina, superando países como Argentina e México, onde a adoção é menor.

Os produtos mais utilizados incluem:

  • Cartões de débito (69% dos usuários)
  • Conta-corrente (55% dos usuários)
  • Poupança (52% dos usuários)

Esses dados mostram que, apesar da inovação, as necessidades básicas dos consumidores permanecem similares às atendidas pelos bancos tradicionais.

Os neobancos crescem sem agências físicas, focando em vendas cruzadas de produtos para maximizar a experiência do cliente.

Pagamentos Digitais: A Nova Norma em Transações

As transações não monetárias, ou seja, sem uso de dinheiro vivo, multiplicaram por dez nos últimos 17 anos.

Globalmente, elas atingiram 1,685 trilhão em 2024, com projeção de saltar para 3,540 trilhões até 2029.

Na América Latina, pagamentos instantâneos e carteiras digitais representam 47% das transações, quase o dobro da média global.

No Brasil, o Pix se destaca como um exemplo de sucesso, oferecendo flexibilidade, transparência e segurança via Banco Central.

Apesar disso, 66% dos comerciantes ainda confiam mais em bancos tradicionais do que em paytechs, indicando um campo de batalha competitivo.

O crescimento digital, no entanto, beneficia as paytechs em detrimento dos modelos mais antigos.

Desempenho e Adaptação dos Bancos Tradicionais

Os bancos brasileiros estão se adaptando a esse novo cenário com previsões otimistas.

Eles anteveem um crescimento da carteira de crédito de 9,2% em 2025 e 8,2% em 2026.

O crédito direcionado deve crescer ainda mais, com taxas de 10,9% em 2025 e 9,4% em 2026.

A inadimplência é projetada em 5,1% em 2025 e 5,2% em 2026, refletindo desafios econômicos.

Com a Selic a 15%, 73,7% dos bancos esperam uma desaceleração gradual, mas compensada pela resiliência do mercado de trabalho.

Isso demonstra a capacidade dos tradicionais de se reinventarem diante das pressões.

Investimentos em Tecnologia: A Chave para o Futuro Financeiro

Para competir efetivamente, os bancos tradicionais estão aumentando significativamente seus investimentos em tecnologia.

O orçamento total em 2026 será de R$ 47,8 bilhões, um aumento de 13% em relação a 2024.

Esse valor inclui aportes em IA e GenAI, com R$ 1,4 bilhão direcionados para infraestrutura e experiência de trabalho.

Além disso, há um crescimento de 15% nos postos de TI, mostrando um foco estratégico na inovação.

As áreas prioritárias de investimento são:

  • Inteligência Artificial para automação
  • Segurança cibernética avançada
  • Plataformas de dados em tempo real
  • Experiência do usuário digital

Esses esforços são cruciais para manter a relevância no mercado.

Tendências que Moldarão o Cenário Financeiro em 2026

Várias tendências estão definindo o futuro das finanças, oferecendo oportunidades para todos os players.

Elas incluem:

  • BaaS (Banking as a Service): Mercado consolidado no Brasil, movimentando US$ 14 bilhões até o final de 2025.
  • Open Finance: Potencial de gerar R$ 42 bilhões em novas receitas até 2026, com foco em crédito para pequenas empresas.
  • IA e Gestão de Risco: Inovações chave para melhorar a eficiência e segurança operacional.
  • Stablecoins e criptomoedas: Crescimento esperado em 2026, com soluções locais em pagamentos e remessas.
  • Consolidação do mercado: Com um possível pico de inadimplência e queda de juros, o setor deve se tornar mais estável e integrado.

Essas tendências destacam a importância da adaptação contínua.

Desafios e Competitividade no Mercado

Neobancos como o Inter & Co se posicionam como dominantes no Brasil, com um portfólio extenso e crescimento sólido.

Eles prometem menos taxas e mais inovação, conquistando não apenas o Brasil, mas toda a América Latina.

No entanto, os lucros ainda são incertos para muitos players, representando um desafio significativo.

Para os bancos de investimento, as receitas caíram 4% em 2025, com obstáculos como a seca de IPOs há quatro anos.

A renda fixa recuou 9,7%, mas a dívida local continua em expansão, mostrando resiliência.

Os principais desafios enfrentados incluem:

  • Altos custos de conformidade regulatória
  • Pressão por redução de taxas de juros
  • Necessidade de integração tecnológica rápida
  • Competição acirrada por talentos em TI

Esses fatores exigem estratégias ágeis e focadas no cliente.

Para ilustrar as diferenças chave, considere a seguinte tabela comparativa:

Este quadro evidencia como ambos os modelos estão evoluindo em resposta às demandas do mercado.

Conclusão: Um Futuro de Cooperação e Inovação

A ascensão dos neobancos não significa necessariamente o fim dos bancos tradicionais, mas sim o início de uma nova era financeira.

Estamos testemunhando uma transformação profunda, onde a tecnologia e o foco no cliente se tornam centrais.

Com inovação contínua e acesso democratizado, os neobancos forçam os tradicionais a se reinventarem, beneficiando todos os consumidores.

Para os usuários, isso se traduz em mais opções, melhores serviços, maior transparência e custos reduzidos.

O futuro provavelmente verá uma coexistência dinâmica, onde cada modelo se adapta às necessidades específicas do mercado.

Portanto, em vez de um desaparecimento, podemos estar diante de um renascimento das finanças globais, cheio de oportunidades para quem está disposto a abraçar a mudança.

Seja você um jovem adotante ou um investidor experiente, o momento é de explorar, aprender e participar ativamente dessa revolução.

Felipe Moraes

Sobre o Autor: Felipe Moraes

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